Com visão inovadora, microbiomas desenvolvidos por Altamiro Alvernaz
chamam a atenção de investidores do Vale do Silício, nos Estados Unidos

Altamiro Alvernaz, CEO da Global Biotecnologia apresenta solução sustentável em evento em São Francisco, EUA. Foto: Divulgação
O objetivo é claro: identificar soluções sustentáveis e eficientes que priorizem o planeta. E foi exatamente a abordagem diferente para solucionar os diversos desafios do mundo que chamou a atenção de investidores do Vale do Silício para o trabalho de um brasileiro. Selecionado entre 10 mil candidatos de 130 países, com sua Deep Tech Biotech startup LLCA, Altamiro Alvernaz foi um dos destaques do Imagine Next, desafio que conectou projetos inovadores com investidores, formuladores de políticas públicas e líderes em inovação.
Escolhida para integrar o grupo formado pelas 50 soluções sustentáveis mais promissoras do planeta, a empresa brasileira participou da última fase do desafio, apresentando o seu projeto em um circuito de eventos em São Francisco, Palo Alto e na Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, entre os dias 21 e 23 de abril.
Após algumas rodadas, foram divulgados os três vencedores do desafio. O prêmio: uma reunião com investidores globais. A organização do evento apresentou os nomes. A empresa brasileira não ficou entre as três primeiras colocadas. Mas, logo após o anúncio, o representante da startup foi surpreendido com o convite para também ir ao encontro. No final, as inúmeras aplicações com a produção de ecossistemas vivos despertaram o interesse dos investidores.
“Eu não levei alguns números mais técnicos para a segunda etapa. Por isso, sabia que dificilmente ficaria entre os três primeiros. Mas percebi que as pessoas ficaram interessadas com os diferenciais do projeto durante as apresentações, a ponto de começarem a filmar. Acredito que por isso eles decidiram fazer este convite extra”, diz Altamiro Alvernaz, também fundador e CEO da Global Biotecnologia, empresa que comercializa produtos a partir dos conceitos e validações do LLCA.
Na reunião com os selecionados, os investidores reconheceram o grande potencial da biotecnologia desenvolvida pela empresa brasileira. “No final, o grupo tirou uma foto. Foi quando um executivo me chamou para conversar. Ele elogiou o Brasil e disse que acompanharia de perto o desenvolvimento do meu trabalho. No final, fui o único que recebeu um cartão para manter o contato”, destaca o executivo.
Empresas e meio ambiente lado a lado
Ao invés de projeções e indicadores convencionais de crescimento, o que chamou a atenção para o trabalho de Alvernaz foi o potencial da solução, que utiliza uma abordagem totalmente diferente do mercado. Em linhas gerais, a produção pela empresa brasileira de ecossistemas vivos permite que meio ambiente e empresas caminhem juntos, sem um lado precisar cobrar um preço alto do outro.
Com aplicações em diferentes áreas, a eficiência das soluções da Global Biotecnologia já contribui de forma significativa com os produtores rurais, ganhando em qualidade, capacidade e redução de custos.
Em conjunto, a tecnologia à base de microbioma reflete positivamente no solo, nas plantas, na água e no ar, beneficiando o meio ambiente. Tudo isso, claro, é responsável por garantir mais saúde para as pessoas.
Mas como isso funciona na prática? “A gente faz um processo de simbiose com o microbioma nativo, atuando em cima dos fluxos biológicos essenciais: competição microbiana, ciclo de carbono/nitrogênio, metabolismo ambiental, fluxo de nutrientes. Vou dar um exemplo. A queimada acaba com o solo, mas seis meses depois já tem planta nascendo na mesma área. Nesse caso, a natureza se regenera sozinha. O que fazemos é acelerar esse processo em um ambiente agrícola intensivo ou de produção de proteína animal. Nós entendemos o que causa o desequilíbrio”, explica Alvernaz.
Biotecnologia com foco na causa
A combinação perfeita entre conhecimento científico, inovação e sustentabilidade em benefício do planeta só apresenta os resultados desejados por causa de um ingrediente: a mudança de foco. Em vez de tratar apenas o sintoma, a Global Biotecnologia, assim como o LLCA, ambas de propriedade de Alvernaz, atua na causa. Essa abordagem diferente do restante do mercado permite à empresa pensar “fora da caixa”, construindo soluções inovadoras e sustentáveis.
De forma simplificada, ao invés de utilizar um novo pesticida para acabar com uma determinada praga, a startup identifica e elimina a causa que exatamente gerou o problema. Ao garantir o equilíbrio natural necessário, essa mudança de atitude rompe o círculo vicioso de utilizar uma solução química ou biológica para combater um problema gerado por um outro produto químico utilizado anteriormente.
“Vamos usar o solo como exemplo. Quando você desequilibra o ambiente microbiológico, o nematoide, por exemplo, vira uma praga. O que fazemos? Nematicida. Se for fungo, fungicida. O solo, com o uso desses produtos, já não está mais sadio ou microbiologicamente equilibrado. A planta nasce e cresce em um ambiente doente, não conseguindo soltar os hormônios antagônicos aos insetos, que, por esse motivo, viram pragas. E o que fazemos? Inseticida. O produtor ficou dependente desse sistema, porque o fertilizante mineral, principal responsável pelo desequilíbrio microbiológico, é utilizado sem ser questionado desde 1842. São gerações e gerações de agrônomos que nunca questionaram isso.”
Biotecnologia eficaz e aplicável
Para mudar esse cenário, Alvernaz decidiu fazer diferente. Em resumo: enquanto a indústria tradicional direciona seus esforços para combater sintomas com princípios ativos isolados, Alvernaz desenvolve microbiomas completos que atuam em simbiose com o ambiente. A lógica é tão simples quanto desafiadora: em vez de tratar o efeito, a empresa busca corrigir a causa do desequilíbrio. “É isso que vai fazer a diferença.”
Os resultados positivos dessa mudança de postura já estão surgindo. Lavouras do sul-mato-grossense que há três anos utilizam a Tecnologia do Consórcio Probiótico (TCP) da Global Biotecnologia identificaram tanto no milho quanto na soja um aumento significativo por hectare, com ganho de qualidade e redução expressiva de custos com defensivos, inoculantes ou fertilizantes.
Por sua vez, estudos também constataram que a utilização de microbiomas projetados foi responsável pelo desenvolvimento de frangos de corte e suínos mais saudáveis, sem o uso de ionóforos e anticoccidianos, diminuindo custos, mantendo a produtividade e atendendo às exigências do mercado internacional, sobretudo o europeu.
Segundo Alvernaz, estes são apenas alguns exemplos do potencial da biotecnologia para o desenvolvimento de soluções sustentáveis e com aplicações reais, com a geração de benefícios para os produtores, para os consumidores e para o planeta.
Portanto, o reconhecimento dos investidores durante o desafio internacional é uma prova que tratar a causa em vez do sintoma é mais do que uma questão técnica, é uma mudança de paradigma necessária. Quer saber mais sobre o potencial da biotecnologia? Então acesse https://www.globalbio.com.br.