Primeira verificação a unir normas técnicas e o Estatuto da Pessoa Idosa, iniciativa da Fundação Vanzolini
reconhece negócios que garantem conforto, segurança e atendimento humanizado
para essa fatia crescente da população

Selo Acolhe promove acessibilidade para pessoas 60+. Imagem: Adobe Stock
Celebrado em 1º de outubro, o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa é a ocasião para conscientizar a população sobre os direitos muitas vezes negligenciados das pessoas com 60 anos ou baixa mobilidade.
Criada em 1990 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data traz para o centro dos debates a necessidade de criar políticas inclusivas, colocando também em prática ações capazes de garantir o livre acesso a produtos e serviços, promovendo um envelhecimento digno e saudável.
Hoje, muitas empresas já reconhecem o valor de assumir esse compromisso de forma autêntica e com iniciativas reais. Prova disso está no Selo Acolhe, verificação criada pela Fundação Vanzolini para atestar estabelecimentos que cumprem requisitos de acessibilidade, conforto e atendimento humanizado ao público 60+ ou com baixa mobilidade.
A iniciativa chega em um momento em que o envelhecimento da população exige uma mudança de postura de qualquer negócio. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 16,6% da população brasileira entre 2012 e 2025. As projeções apontam que esse percentual será de quase 38% em 2070, segundo texto publicado na Agência IBGE.
Público qualificado
A força econômica desse público cresce no mesmo ritmo do contingente demográfico. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o Instituto Itaú Viver Mais, divulgado em maio deste ano, indica que as pessoas acima dos 60 anos respondem por cerca de 25% da renda dos lares do País, atuando como principal provedor em 27% das residências.
O Selo Acolhe é a primeira verificação que combina as determinações do Estatuto da Pessoa Idosa com as normas ABNT NBR 9050 e NBR 9077. Para receber a chancela, o estabelecimento precisa atender diversos critérios técnicos, como corredores livres de obstáculos, com larguras de 90 centímetros a 1,50 metro, e portas com vão livre mínimo de 80 centímetros.
Por sua vez, a sinalização deve permitir que o cliente identifique rotas e serviços de forma autônoma, sem recorrer a terceiros. A verificação também contempla aspectos como iluminação, ruído interno e mobiliário, considerando sua altura, disposição, identificação e a indicação dos valores dos produtos.
A verificação não se limita ao ambiente físico. O avanço da digitalização fez da tecnologia um ponto de atenção. Negócios que adotam cardápios digitais precisam manter versões impressas, e canais de suporte automatizados devem oferecer atendimento humano. A postura de quem recebe o cliente é igualmente verificada, com treinamento das equipes para comunicação clara e respeito ao ritmo de cada pessoa.
“O Selo Acolhe é um compromisso com a dignidade e a inclusão social de uma parcela da população que merece circular com total autonomia e segurança”, destaca Luiza Salomé, gestora da certificação na Fundação Vanzolini.
Empresas que atendem bem o público 60+ e o público com baixa mobilidade fidelizam clientes e ocupam uma fatia de mercado em expansão, a chamada economia prateada. Ao chancelar boas práticas, o Selo Acolhe transforma acessibilidade em diferencial verificável, e não em promessa de fachada