A pauta ESG sai dos relatórios corporativos e entra na rotina de quem produz experiências em feiras e eventos

Sustentabilidade em eventos. Imagem: Adobe Stock
A agenda ESG (Environmental, Social and Governance) deixou de ser um capítulo à parte nos relatórios corporativos e nos discursos de posicionamento para se tornar parte da operação das empresas. No setor de eventos, o efeito é direto, com reflexos na gestão de materiais, fornecedores e resíduos.
Segundo a pesquisa ESG Latin America 2025 da RSM, 85% das empresas brasileiras tratam o avanço em governança corporativa e gestão de riscos ESGcomo prioridade máxima.
Na indústria, 57% das companhias acreditam que as práticas de economia circular reduzem a emissão de gases de efeito estufa, segundo sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Já entre as empresas brasileiras listadas, 56% já publicaram até agosto deste ano relatórios de sustentabilidade referentes a 2025, de acordo com levantamento da XP.
Em meio a isso, aproximadamente 34% das 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil em 2024 tiveram uma destinação inadequada, conforme relatório da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). Dentro dos pavilhões, o tema sustentabilidade se transforma em um desafio real. Estandes descartados equivalem a mais de 60% dos resíduos produzidos para essas ocasiões, segundo o programa Better Stands.
Nesse cenário, práticas sustentáveis deixaram de ser iniciativas isoladas para integrar a estratégia de negócios do setor. Repensar materiais, selecionar de forma mais criteriosa fornecedores e medir emissões passaram a fazer parte do escopo de quem produz eventos, e não apenas do discurso de quem os contrata.
Prática anterior à sigla
O que hoje se apresenta como exigência, no entanto, tem história mais antiga que o próprio termo. Antes da sigla ESG ganhar os relatórios corporativos, algumas empresas já tratavam o tema como parte do negócio, sem a necessidade de rótulos, conquistando esse diferencial competitivo.
Um exemplo é a MCM Brand Experience, agência com 29 anos de mercado. Em 2007, a empresa criou a Eco Light, iniciativa que levava fornecedores de comunidades pequenas a produzir brindes para grandes corporações. Na mesma época, nasceu o selo 7Rs, que trabalha conceitos como reutilização, repensar e retorno de sustentabilidade. “Desde 2007 eu falo de ESG”, diz Mônica Schimenes, CEO da MCM.

Mônica Schimenes falando sobre ESG. Imagem: MCM/Divulgação
A prática se refletiu no trabalho desenvolvido pela companhia. Em 2009, a agência venceu o prêmio de melhor estande do CIAB, evento que hoje se chama Febraban Tech, já com uma estrutura pensada para reutilização. “Quando a gente sai do pavilhão, não podemos deixar lixo para trás. Ou ele será doado ou reutilizado”, afirma Mônica.
A atuação sustentável adotada pela MCM também alcançou o agronegócio. A agência realiza eventos dentro de fazendas, como o Congresso Brasileiro do Algodão, e monta redes de fornecedores locais para reduzir a emissão de carbono no transporte de materiais.
Com o novo posicionamento “Human First. AI Always”, o passo mais recente da MCM é a transferência desse conhecimento para a tecnologia. Os agentes de inteligência artificial desenvolvidos pela empresa são programados com o repertório de sustentabilidade acumulado em quase 30 anos de história. “Quando a gente programa o nosso robô para trabalhar conosco nos projetos, ele já tem o background de pensar em ESG”, explica.
Da prática interna à cadeia de fornecedores
A atuação de Mônica na agenda ESG extrapola a agência. Ela preside a Integrare, organização que conecta fornecedores de diversidade a grandes corporações. Em agosto deste ano, a entidade lançou uma plataforma para combater o chamado diversity washing, prática de empresas que divulgam compromissos de inclusão sem ações efetivas.
A organização afirma ter movimentado R$ 725 milhões em transações nos últimos 15 anos e projeta R$ 1 bilhão até 2028. A base reúne 260 fornecedores homologados, com expectativa de expansão de 25% até o fim de 2026.
A experiência acumulada pela MCM indica que a sustentabilidade no setor de eventos deixou de ser um diferencial de imagem para se tornar um critério de operação.
Com o avanço das exigências legais e do compromisso das companhias com a pauta sustentabilidade, a agenda agora se desdobra em escolhas mensuráveis: o que entra no pavilhão, de onde vem o fornecedor e o que acontece com o material depois do evento.
No caso da MCM, o caminho encontrado foi transformar princípios e iniciativas legítimas colocadas em prática em quase três décadas de história em parâmetros para as ferramentas que passaram a conduzir o trabalho da empresa, com a inovação atuando em benefício do meio ambiente.