Agricultores buscam ferramentas compatíveis com a rotina do campo
e indústrias respondem com novas soluções

Bioinsumos e tecnologia transformam o agronegócio. Foto: VITTIA/Divulgação
A elevada concorrência em meio à globalização e ao atual cenário econômico exigiu uma nova postura do produtor brasileiro em busca do aprimoramento de processos e da maior eficiência no campo. Para isso, ações pontuais, genéricas e reativas foram substituídas por soluções com tecnologias combinadas, alinhadas com as particularidades das culturas e com a realidade de cada propriedade.
Os números demonstram essa tendência. Segundo levantamento da CropLife Brasil, o mercado de bioinsumos movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 15% na comparação com o ano anterior.
Com essa mudança de mentalidade, o foco deixou de ser apenas a aplicação de produtos isolados e passou a priorizar estratégias que potencializam o desempenho dos biológicos em campo. A combinação de microrganismos, tecnologias de formulação e soluções complementares cria condições mais favoráveis para a sobrevivência, estabelecimento e atividade dos agentes biológicos, resultando em maior eficiência e consistência dos resultados. A lógica vale para o controle de pragas e doenças, para o manejo do solo e também para a nutrição das plantas.
A resposta da indústria
Esse movimento no campo ganhou respaldo na indústria. “A tendência que observamos é de um manejo cada vez mais integrado. O produtor não está procurando apenas mais um produto, mas ferramentas que possam ser combinadas e incorporadas à realidade da propriedade, que garantam maior eficiência e praticidade”, afirma Mírian Rabelo, gerente de Produtos da Vittia, referência nacional em defensivos biológicos e nutrição vegetal.
Em agosto, a companhia apresentou três soluções desenvolvidas sob essa lógica: o RizoForte, nematicida com isolado exclusivo Vittia e inovador no mercado de biológicos; o Guardium WP, primeiro produto da empresa formulado com dois microrganismos; e o Aeron-N, com foco em fixação de N via foliar em culturas como soja, milho e feijão.
Mas, na prática, como as tecnologias combinadas geram melhores resultados? Nos ensaios conduzidos pela área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Vittia, a atuação conjunta do RizoForte com o No-Nema, outro nematicida de sucesso da empresa, alcançou cerca de 70% de eficiência de controle.
O Guardium WP segue caminho semelhante. Antes de lançar o produto, a companhia conduziu estudos que apontaram ganho de desempenho quando os dois microrganismos atuam juntos, resultado superior ao uso dos dois componentes isolados. A tecnologia Vit Core que promove a proteção contra radiação ultravioleta e aditivos que preservam a viabilidade dos microrganismos depois da pulverização, um dos pontos considerados críticos para garantir que o biológico funcione fora das condições controladas de laboratório.
Já o Aeron-N aposta na redução da dependência brasileira de fertilizantes nitrogenados importados. O Brasil registrou importação recorde de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025,segundo o boletim logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento.
No caso do Aeron-N, a aplicação foliar estimula a fixação do nitrogênio da atmosfera e melhora o vigor fisiológico de soja, milho e feijão. A tecnologia Vit Core, incorporada ao Aeron-N, possibilitou a seleção de metabólitos específicos que atuam diretamente em rotas metabólicas estratégicas da planta. Essa ação favorece o crescimento vegetal, otimiza o aproveitamento dos nutrientes e contribui para a expressão do potencial produtivo da cultura.
Aproximação do laboratório com o campo
Além dos resultados reais já obtidos, os avanços com a tecnologia formam a base para nortear a próxima etapa de desenvolvimento do mercado de biológicos, que é encurtar o caminho entre o que funciona na pesquisa e o que se repete no campo.
Antecipando-se a essa tendência, a Vittia consolidou na plataforma Vit Core todo o conhecimento gerado em pesquisas sobre formulações, metabólitos, fitormônios e multiplicação de microrganismos, criando uma base tecnológica voltada à maximização da eficiência no campo.
A proposta é não se limitar ao ingrediente ativo: a empresa investe em tecnologias que protegem e estabilizam o produto nas condições reais de campo. O objetivo é entregar soluções mais robustas, capazes de responder aos diferentes desafios da lavoura, em um trabalho multidisciplinar.
“Biológico e químico não precisam ocupar lados opostos. O que estamos buscando é construir soluções que funcionem dentro do sistema que o agricultor efetivamente utiliza e que permitam trabalhar diferentes mecanismos de ação de maneira complementar”, finaliza Mírian Rabelo, gerente de Produtos da Vittia.